A revolução que ameaça o trabalho humano
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Nos últimos anos, fomos inundados pela dita ‘IA’. O mercado adotou essa novidade, que não é tão nova assim, e a vende como se fosse a grande revolução do mundo moderno. Será que vamos ser substituídos por máquinas? Será que o trabalho como conhecemos será extinto? São alguns dos temas que quero abordar neste texto.
O conceito de Inteligência Artificial foi simplificado nos últimos anos desde o lançamento do ChatGPT ao público. Foi uma estratégia incrível de simplificar o que já existia para uma interface que qualquer pessoa que já utilizava a internet conseguisse usar, sem API, sem configuração, sem nada técnico, mas um simples chat. Só que, desta vez, do outro lado não há uma pessoa, mas uma LLM poderosa interagindo contigo.
E isso foi o suficiente para determinar uma nova tendência no mercado e acender novamente a dúvida: o trabalho humano pode ser substituído por uma máquina? Acho que Alan Turing ficaria orgulhoso e preocupado se pudesse viver esse momento.
Antes dessa ascensão das LLMs e da simplificação de todo um campo da computação, reduzindo isso a IA, muito se falava em como as máquinas poderiam substituir o trabalho humano. Fábricas já são operadas por robôs autônomos há décadas, aviões já são pilotados automaticamente, dentre outros exemplos, mas, pela primeira vez, o trabalho criativo foi ameaçado.
Já era claro no mercado que toda tarefa, física ou intelectual, que pudesse ser automatizada deveria ser automatizada para baratear custos e reduzir erros de processos, mesmo que isso levasse a demissões. A discussão é retomada agora.
Os defensores usam o exemplo da Revolução Industrial para justificar que o progresso pode e vai extinguir empregos. Porém, a meu ver, a grande diferença está no tempo dessa transição e na possível quantidade de pessoas afetadas de uma só vez. Quando as grandes fábricas foram criadas, houve um grande tempo de transição para isso, e os trabalhadores do campo conseguiram se realocar. Desta vez, talvez isso não aconteça.
A alta capacidade de automatizações que uma IA bem treinada é capaz de fazer pode não substituir trabalhadores braçais, como era esperado de início, mas o trabalho dito criativo, que até então era considerado inatingível. E, na velocidade que isso tem avançado, pode ser questão de tempo que se torne mais viável, para uma empresa, pagar um software que vai realizar o trabalho mais rápido e sem erros do que manter um funcionário.
Mas a pergunta que fica é: isso seria sustentável? Se não houver mais trabalhadores, quem vai consumir os produtos que as máquinas produzem? Na minha opinião, temos que achar um meio-termo para isso, seja combinar o trabalho humano com a máquina, além de sustentar aqueles que não poderão se realocar, não por falta de capacidade, mas por não haver mais vagas disponíveis.
Estamos caminhando para um futuro que, ao mesmo tempo, é brilhante e cheio de possibilidades, mas assustador. Como vamos lidar com isso como sociedade, só o futuro dirá.
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